
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A intervenção End Table (1923)
A proposta de intervenção sobre a mesa de Gerrit Rietveld, End Table (1923), levou o grupo a iniciar uma longa discussão acerca de como intervir de maneira eficaz na peça, sem que esta perdesse a sua identidade. Possuíamos várias ideias, como transformar a mesa em outra mesa ou em um objeto com função diferente. Optamos por realizar uma intervenção que modificasse a forma e a função, transformando assim, a mesa em uma cadeira. Para realizar a transformação, multiplicamos e cortamos peças de modo a satisfazer a questão estrutural e estética do objeto pensado.
Partimos para a criação de modelos, centradas na ideia de projetar um banco.
Primeiramente criamos um protótipo que fazia poucas referências à mesa Divantafeltje, já que sua composição estética (disposição das peças) não apresentava nenhuma relação com a peça original.
Nosso segundo projeto gerou um banco de forma simples e alongada, e que apesar de representar melhor o objetivo do grupo, não se adequava totalmente as nossas propostas.
Confecção do protótipo End Table (1923)

Esquema da falha no corte

sexta-feira, 30 de abril de 2010
Divantafeltje 1923 - End Table
Um lugar para Rietveld
Guerrit Thomas Rietveld foi um arquiteto holandês que nasceu em 24 de Junho de 1888, em Utreque. Trabalhou com marcenaria e sua produção de mobiliário, foi influenciada, a partir de 1917, pelo movimento neoplasticista. Foi o responsável por colocar as ideias do grupo De Stijl em 3D. Utilizou a máquina na fabricação de seus móveis, eliminando curvas, formas ou cores que expressassem emoções pessoais, usando apenas cores primárias e cores neutras, como branco, preto e cinza. Seu mobiliário era concebido pela utilização de painéis e placas de madeira pintada que formavam um conjunto de composições assimétricas, mas ao mesmo tempo composições equilibradas, que se relacionavam , conceitualmente, ao arranjo ortogonal das pinturas de Piet Mondrian. O retângulo era a forma básica. Rietveld criou cadeiras e mesas que estabeleceram uma relação harmoniosa e ergonómica com o homem.

segunda-feira, 15 de março de 2010
A intervenção
Térreo: Planta com as intervençõesNo primeiro pavimento – lugar onde antes funcionava o refeitório da FUMP criamos um ambiente aconchegante, no qual se situa um Café, com exposições sobre a história dos principais movimentos estudantis brasileiros, e uma pequena biblioteca para eventuais consultas sobre esse tema. Assim, dispomos no espaço mesas, sofás e pufes, para o conforto dos frequentadores. Decoramos o teto com imagens de jornais e colocamos um piso quadriculado de preto e branco em todo o espaço. A cozinha e a dispensa do Café foram projetadas para atender as necessidades do mesmo.
1º Pavimento: Planta original
1º Pavimento: Planta com as intervençõesdomingo, 14 de março de 2010
O personagem
A história de nosso personagem foi baseada no espírito revolucionário que sentimos ao visitar o interior do antigo Diretório Acadêmico (D.A) da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sendo assim, nos inspiramos em movimentos políticos e estudantis do Brasil, especialmente os da década de 1960 e 1990. O nome da personagem foi criado com menção a duas pessoas que tiveram participação significativa nesses movimentos: Edson Luís, (estudante assassinado por policiais na época da ditadura, no Rio de Janeiro, em 1968) e Cecília Lotufo (musa da UNE – União Nacional Estudantil - e a primeira pessoa a aparecer com a cara pintada diante de uma câmera em prol do impeachment do então presidente Fernando Collor).
População contra a ditadura no Brasil
Passeata dos Cem Mil, como ficou conhecido o ato, reuniu multidão contra a ditaduraNasce então Edson Lotufo, um homem de 40 anos, que cresceu em ambiente revolucionário devido à influência do pai (que participou ativamente dos movimentos contra a ditadura militar). Edson despertou desde cedo uma grande consciência política, aprendendo a nunca se conformar com injustiças. Aos 19 anos ele ingressa no curso de Engenharia Civil da UFMG e o contato com outros estudantes também politizados reforça essa ideologia de Edson.
Jovem participante do movimento dos Caras-pintadas de 1992 Mobilização popular do movimento civil que ficou conhecido como "Diretas Já", que reivindicava por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido em 1983-1984. Foto Revista VEJA - ed. 804, Fevereiro de 1984.
Com o passar do tempo, as manifestações políticas foram se extinguindo e Edson seguiu sua vida normalmente. Este se casou e teve um filho, que apesar de ser um jovem estudante, nunca participou de protestos, abaixo assinados ou movimentos em prol de seus direitos.
Edson sabia que assim como seu filho, as pessoas de um modo geral e principalmente os jovens, perderam essa vontade de manifestar sua indignação quanto a questões políticas e sociais.
“... Nosso mundo está ‘parado’! Ninguém se mobiliza... tantos casos de corrupção e nós aqui passivos. [...] Como diria Guy Debord: ’Não penso, não existo. Apenas assisto. ’É necessário mudar esse cenário!”
Edson Lotufo
Posteriormente, Edson Lotufo recebe a informação de que o edifício que abrigava o Diretório Acadêmico (D.A) da Escola de Engenharia da UFMG está desativado. Entusiasmado com este fato, Edson procura a universidade em questão, com o objetivo de reativar este ambiente e transformá-lo num espaço cultural, que reunisse, ao mesmo tempo, palestras e cursos para a formação política das pessoas e exposições que resgatassem a história dos movimentos estudantis brasileiros. Assim, também seria possível relembrar a história do próprio D.A existente naquele local, criando um centro de memória descontraído e politizado.
A ideia de Edson foi aprovada e um projeto para reativar o local foi proposto por arquitetos. O novo ambiente passa então a ser elaborado e construído e, depois de finalizado, um novo nome é escolhido para o lugar: Centro do Movimento.
Atualmente, esse centro vem tornando-se popular e ‘visível’ em Belo Horizonte. Edson, juntamente com seu filho, é um dos grandes frequentadores, já que o local se apresenta de modo flexível para reunir pessoas de diversas idades e opiniões. O centro consegue atrair os jovens com um Café descontraído, o qual proporciona interatividade com exposições, livros e matérias relacionadas aos movimentos estudantis e ao espírito de mudança que os jovens brasileiros demonstraram ao longo da história. No segundo andar do edifício, cursos sobre História, Línguas estrangeiras e Teatro são oferecidos principalmente aos jovens, além de palestras e debates relacionados a questões políticas e sociais. O clima de um D.A é vivenciado em todo o espaço e muitas pessoas que estudaram e freqüentaram aquele prédio antigamente, agora retornam para também relembrar esse clima e interagir com o que o local oferece.
Edson, além de freqüentar o Centro do Movimento, se torna um membro ativo do local e passa a contribuir com os debates e palestras oferecidos. Assim, sua relação com aquele espaço se apresenta de uma forma mais significativa, pois todas as intervenções realizadas, como os papéis de parede ilustrados com faixas de protestos e manchetes de jornal que decoram as salas, os painéis que contam a historia dos movimentos estudantis, as salas de convívio e debate, propiciam um ‘despertar’, em Edson e em outros freqüentadores. Um despertar contido da importância de conhecer a historia de luta contra as injustiças sociais e também de se engajar na transformação da nossa realidade.
sábado, 13 de março de 2010
O edifício.
O edifício Cássio Pinto foi projetado pelo arquiteto Alípio Castelo Branco, que coordenou o projeto de revitalização do Cine Brasil em Belo Horizonte, ainda em execução. A edificação não é tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural e é considerada apenas como Registro Documental, o que a torna passível de qualquer tipo de intervenção.
1º Pavimento - Restaurante da FUMP
2º Pavimento - D.A Escola de Engenharia da UFMG
O que nos influenciou a escolher este espaço para intervenção, foi o "ar revolucionário" que o grupo sentiu ao entrar no local, um desejo de mudança que certamente existia no D.A e estava presente em diversos elementos do espaço. Alguns exemplos que corroboram este fato são as faixas de protesto espalhadas no chão, murais fotográficos de reuniões e de metas a serem alcançadas, livros e documentos de outras décadas, caixas com objetos utilizados em manifestações como nariz de palhaço e cornetas, dentre outros. Segundo relatos do atual porteiro, Marco Aurélio, o D.A já serviu até como abrigo para alguns refugiados políticos.
Detalhe do quadro ao fundoCom tantas histórias e tantos elementos significativos, nosso grupo não teve dúvida de que deveríamos realizar uma intervenção que permanecesse com este espírito revolucionário e politizado, e, ao mesmo tempo descontraído e acolhedor para a população.
2º Pavimento - Pé direito rebaixado medindo 2,80m
Escada de acesso ao prédiosexta-feira, 12 de março de 2010
"Olhe bem tudo o que puderes ver"
Após a leitura do texto “Corpografias Urbanas”, de Paola Berenstein Jacques, iniciou-se a nossa longa e lenta busca por espaços em desuso e ociosos pelo quadrilátero pré-definido no centro de Belo Horizonte. O texto nos subsidiou no que diz respeito a como um “errante” deve se orientar, ou melhor dizendo, se desorientar pela cidade. Descobrimos que a cidade só ganha corpo a partir do momento em que ela é praticada e experimentada, e para isso, devemos nos desvencilhar da aceleração contemporânea que nos é praticamente imposta atualmente. 

Detalharemos na próxima postagem a visita do grupo ao edifício e os motivos de escolha para intervenção.










