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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Prancha do projeto de intervenção na End Table 1923




A intervenção End Table (1923)

A proposta de intervenção sobre a mesa de Gerrit Rietveld, End Table (1923), levou o grupo a iniciar uma longa discussão acerca de como intervir de maneira eficaz na peça, sem que esta perdesse a sua identidade. Possuíamos várias ideias, como transformar a mesa em outra mesa ou em um objeto com função diferente. Optamos por realizar uma intervenção que modificasse a forma e a função, transformando assim, a mesa em uma cadeira. Para realizar a transformação, multiplicamos e cortamos peças de modo a satisfazer a questão estrutural e estética do objeto pensado.


Partimos para a criação de modelos, centradas na ideia de projetar um banco.
Primeiramente criamos um protótipo que fazia poucas referências à mesa Divantafeltje, já que sua composição estética (disposição das peças) não apresentava nenhuma relação com a peça original.


Nosso segundo projeto gerou um banco de forma simples e alongada, e que apesar de representar melhor o objetivo do grupo, não se adequava totalmente as nossas propostas.

Evoluimos a forma anterior para um banco mais elevado e com algumas mudanças, como no encosto, nos pés e na criação de uma área de apoio braçal no lado esquerdo. Apesar disso, a forma ainda estava pesada e complexa demais, já que haviamos cortado e multiplicado as peças de forma exarcebada.


A intervenção final idealizada pelo grupo resultou em um banquinho que atendeu as nossas expectativas plásticas e estruturais e que nos possibilitou preservar a madeira como material e as cores da peça original .



Maquete física da intervenção











Confecção do protótipo End Table (1923)


O primeiro passo para construirmos a End Table (1923) de Gerrit Rietveld foi realizar as marcações nas peças de madeira MDF a serem utilizadas pelo grupo, a fim de se realizar o encaixe. Porém, ocorreu um erro de corte, que poderia ocasionar em um encaixe equivocado e em uma mudança da peça original.




Esquema da falha no corte



Recebemos muitas orientações da professora Denise Bahia e em conjunto pensamos em soluções para o encaixe da base. Diante desse fato o grupo chegou à duas conclusões:

A primeira é que poderiamos tentar "salvar" nossa madeira, eliminando os "dentes" do encaixe do círculo e encontrando uma maneira da base se firmar, ou então, só nos restaria a segunda opção: teríamos que comprar novas peças e realizar novo corte.


Apoiadas por nossa professora orientadora, decidimos usar as peças que já tínhamos em mãos e a maneira que encontramos para solucionar o problema foi aplicar massa para madeira F-12 que juntamente com serragem e cola, preencheu os espaços que estavam vagos.











Dessa forma, o grupo conseguiu solucionar o problema sem comprometer a estabilidade da mesa.







sexta-feira, 30 de abril de 2010

Divantafeltje 1923 - End Table

A “End Table” foi desenhada para a Casa Schroder (1924) em Utreque, juntamente com a “Berlin Chair”, em 1923, seguindo a linha do movimento neoplasticista. A mesa é organizada a partir de componentes simples, como quadrados, retângulos e círculos, e se obtêm ao final, uma forma aberta, leve e assimétrica. O sistema estrutural é constituído basicamente de encaixes.
Rietveld demonstrou a possibilidade de sintetizar a forma e a função, utilizando novos princípios estéticos. A mesa é proposta a partir de uma lógica diferente da funcionalidade – concepção plasticista. Cores dividem a leitura dos planos, reconfigurando o objeto na leitura de sua forma.

Um lugar para Rietveld

Guerrit Thomas Rietveld foi um arquiteto holandês que nasceu em 24 de Junho de 1888, em Utreque. Trabalhou com marcenaria e sua produção de mobiliário, foi influenciada, a partir de 1917, pelo movimento neoplasticista. Foi o responsável por colocar as ideias do grupo De Stijl em 3D. Utilizou a máquina na fabricação de seus móveis, eliminando curvas, formas ou cores que expressassem emoções pessoais, usando apenas cores primárias e cores neutras, como branco, preto e cinza. Seu mobiliário era concebido pela utilização de painéis e placas de madeira pintada que formavam um conjunto de composições assimétricas, mas ao mesmo tempo composições equilibradas, que se relacionavam , conceitualmente, ao arranjo ortogonal das pinturas de Piet Mondrian. O retângulo era a forma básica. Rietveld criou cadeiras e mesas que estabeleceram uma relação harmoniosa e ergonómica com o homem.





Componentes do grupo "Centro do Movimento": Danielle Machado, Débora Friche, Gabriela Mesquita, Giselle de Souza e Jéssica Maciel

segunda-feira, 15 de março de 2010

A intervenção

Como já havíamos relatado anteriormente, nosso grupo optou por realizar uma intervenção que conservasse o ‘espírito’ politizado do D.A, a fim de manter viva a história do lugar. Portanto, não realizamos nenhuma mudança radical na estrutura e nem na fachada do edifício, pois o que realmente queríamos era ‘modificar’ a área interna, criando uma melhor e mais proveitosa reorganização do espaço.
Em nossa intervenção, a parte externa do edifício recebeu uma nova pintura e as paredes de concreto passaram a abrigar uma exposição de charges de cunho político. O pavimento térreo (antiga garagem do edifício) apresenta pilotis, o que nos possibilitou transformá-lo num local aberto para circulação e convívio das pessoas. Assim, dispomos alguns bancos, criamos um jardim e uma área de recreação a fim de efetuar a integração deste ambiente com o espaço periférico.
Térreo: Planta original

Térreo: Planta com as intervenções

Térreo: Foto da maquete



No primeiro pavimento – lugar onde antes funcionava o refeitório da FUMP criamos um ambiente aconchegante, no qual se situa um Café, com exposições sobre a história dos principais movimentos estudantis brasileiros, e uma pequena biblioteca para eventuais consultas sobre esse tema. Assim, dispomos no espaço mesas, sofás e pufes, para o conforto dos frequentadores. Decoramos o teto com imagens de jornais e colocamos um piso quadriculado de preto e branco em todo o espaço. A cozinha e a dispensa do Café foram projetadas para atender as necessidades do mesmo.



1º Pavimento: Planta original

1º Pavimento: Planta com as intervenções

1º Pavimento: Foto da maquete



Já no segundo pavimento, projetamos um auditório para a realização de palestras, debates e eventos em geral. Duas salas e um ateliê foram criados para abrigar cursos diversos, como curso de história política, línguas, teatro e oficinas para a população.O espaço conta também com uma secretária e recepção para dar assistência a tais prestações de serviço. O restante do local foi transformado numa ampla sala de convivência, que tem um clima semelhante ao de um DA. Esse clima se dá, principalmente, pela presença de painéis, fotos e outros elementos que nos fazem ‘retomar’ e entender melhor o passado de forma pragmática. Os banheiros e demais espaços no interior do edifício atendem também as pessoas portadoras de necessidades especiais, como cadeirantes, e um elevador também foi criado para isso.



2º Pavimento: Planta original

2º Pavimento: Planta com as intervenções



2º Pavimento: Foto da maquete
O novo lugar criado, que se chama Cento do Movimento foi, portanto, resultado de uma intervenção que buscou aproveitar da melhor forma o espaço em questão e gerar um ambiente acolhedor, original e agradável.

domingo, 14 de março de 2010

O personagem

A história de nosso personagem foi baseada no espírito revolucionário que sentimos ao visitar o interior do antigo Diretório Acadêmico (D.A) da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sendo assim, nos inspiramos em movimentos políticos e estudantis do Brasil, especialmente os da década de 1960 e 1990. O nome da personagem foi criado com menção a duas pessoas que tiveram participação significativa nesses movimentos: Edson Luís, (estudante assassinado por policiais na época da ditadura, no Rio de Janeiro, em 1968) e Cecília Lotufo (musa da UNE – União Nacional Estudantil - e a primeira pessoa a aparecer com a cara pintada diante de uma câmera em prol do impeachment do então presidente Fernando Collor).
Foto 1: Estudantes velam corpo de Edson Luis
Foto 2: Cecília Lotufo

População contra a ditadura no Brasil

Manifestações contra a ditadura
Passeata dos Cem Mil, como ficou conhecido o ato, reuniu multidão contra a ditadura

Revista VEJA - edição 1250 setembro de 1992

Nasce então Edson Lotufo, um homem de 40 anos, que cresceu em ambiente revolucionário devido à influência do pai (que participou ativamente dos movimentos contra a ditadura militar). Edson despertou desde cedo uma grande consciência política, aprendendo a nunca se conformar com injustiças. Aos 19 anos ele ingressa no curso de Engenharia Civil da UFMG e o contato com outros estudantes também politizados reforça essa ideologia de Edson.
Em 1989, Fernando Collor é eleito presidente da República Federativa do Brasil, e as promessas e ações contra a inflação não resultam no objetivo esperado e sim no confisco de bens de grande parte da população. Assim, iniciou-se uma enfática campanha a favor do impeachment do presidente, sendo que o movimento dos Caras-pintadas, do qual Edson Lotufo participou, foi um dos mais importantes.

Jovem participante do movimento dos Caras-pintadas de 1992

Mobilização popular do movimento civil que ficou conhecido como "Diretas Já", que reivindicava por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido em 1983-1984. Foto Revista VEJA - ed. 804, Fevereiro de 1984.

Revista VEJA - ed. 1248 Agosto de 1992


Com o passar do tempo, as manifestações políticas foram se extinguindo e Edson seguiu sua vida normalmente. Este se casou e teve um filho, que apesar de ser um jovem estudante, nunca participou de protestos, abaixo assinados ou movimentos em prol de seus direitos.

Edson sabia que assim como seu filho, as pessoas de um modo geral e principalmente os jovens, perderam essa vontade de manifestar sua indignação quanto a questões políticas e sociais.

“... Nosso mundo está ‘parado’! Ninguém se mobiliza... tantos casos de corrupção e nós aqui passivos. [...] Como diria Guy Debord: ’Não penso, não existo. Apenas assisto. ’É necessário mudar esse cenário!”
Edson Lotufo

Posteriormente, Edson Lotufo recebe a informação de que o edifício que abrigava o Diretório Acadêmico (D.A) da Escola de Engenharia da UFMG está desativado. Entusiasmado com este fato, Edson procura a universidade em questão, com o objetivo de reativar este ambiente e transformá-lo num espaço cultural, que reunisse, ao mesmo tempo, palestras e cursos para a formação política das pessoas e exposições que resgatassem a história dos movimentos estudantis brasileiros. Assim, também seria possível relembrar a história do próprio D.A existente naquele local, criando um centro de memória descontraído e politizado.

A ideia de Edson foi aprovada e um projeto para reativar o local foi proposto por arquitetos. O novo ambiente passa então a ser elaborado e construído e, depois de finalizado, um novo nome é escolhido para o lugar: Centro do Movimento.

Atualmente, esse centro vem tornando-se popular e ‘visível’ em Belo Horizonte. Edson, juntamente com seu filho, é um dos grandes frequentadores, já que o local se apresenta de modo flexível para reunir pessoas de diversas idades e opiniões. O centro consegue atrair os jovens com um Café descontraído, o qual proporciona interatividade com exposições, livros e matérias relacionadas aos movimentos estudantis e ao espírito de mudança que os jovens brasileiros demonstraram ao longo da história. No segundo andar do edifício, cursos sobre História, Línguas estrangeiras e Teatro são oferecidos principalmente aos jovens, além de palestras e debates relacionados a questões políticas e sociais. O clima de um D.A é vivenciado em todo o espaço e muitas pessoas que estudaram e freqüentaram aquele prédio antigamente, agora retornam para também relembrar esse clima e interagir com o que o local oferece.

Edson, além de freqüentar o Centro do Movimento, se torna um membro ativo do local e passa a contribuir com os debates e palestras oferecidos. Assim, sua relação com aquele espaço se apresenta de uma forma mais significativa, pois todas as intervenções realizadas, como os papéis de parede ilustrados com faixas de protestos e manchetes de jornal que decoram as salas, os painéis que contam a historia dos movimentos estudantis, as salas de convívio e debate, propiciam um ‘despertar’, em Edson e em outros freqüentadores. Um despertar contido da importância de conhecer a historia de luta contra as injustiças sociais e também de se engajar na transformação da nossa realidade.

sábado, 13 de março de 2010

O edifício.

O edifício Cássio Pinto foi projetado pelo arquiteto Alípio Castelo Branco, que coordenou o projeto de revitalização do Cine Brasil em Belo Horizonte, ainda em execução. A edificação não é tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural e é considerada apenas como Registro Documental, o que a torna passível de qualquer tipo de intervenção.

O prédio de 2 pavimentos e pilotis, funcionava como um restaurante da Fundação Universitária Mendes Pimentel (FUMP) e também como sede do Diretório Acadêmico (D.A) da Escola de Engenharia da UFMG.



1º Pavimento - Restaurante da FUMP


2º Pavimento - D.A Escola de Engenharia da UFMG


O que nos influenciou a escolher este espaço para intervenção, foi o "ar revolucionário" que o grupo sentiu ao entrar no local, um desejo de mudança que certamente existia no D.A e estava presente em diversos elementos do espaço. Alguns exemplos que corroboram este fato são as faixas de protesto espalhadas no chão, murais fotográficos de reuniões e de metas a serem alcançadas, livros e documentos de outras décadas, caixas com objetos utilizados em manifestações como nariz de palhaço e cornetas, dentre outros. Segundo relatos do atual porteiro, Marco Aurélio, o D.A já serviu até como abrigo para alguns refugiados políticos.

Cornetas e sacola com narizes de palhaço

Che Guevara - um dos mais famosos revolucionários comunistas da história

Detalhe do quadro ao fundo

Com tantas histórias e tantos elementos significativos, nosso grupo não teve dúvida de que deveríamos realizar uma intervenção que permanecesse com este espírito revolucionário e politizado, e, ao mesmo tempo descontraído e acolhedor para a população.
Para o primeiro registro, tiramos várias fotografias internas e externas do local, medimos os vãos existentes e obtivemos informações básicas para nosso projeto, como altura dos pilotis, medidas de pé direito dos pavimentos, comprimento e largura total. Ao conseguirmos o material gráfico do projeto arquitetônico do edifício, pudemos confirmar as informações recolhidas por nós e adicionar dados mais precisos, como a posição exata dos pilares, etc. Com esse material em mãos, começamos a projetar a intervenção no Edifício Cássio Pinto, que será explicada e demonstrada posteriormente.

2º Pavimento - Pé direito rebaixado medindo 2,80m



Pilotis que exerce a função de estacionamento

Escada de acesso ao prédio

sexta-feira, 12 de março de 2010

"Olhe bem tudo o que puderes ver"

Após a leitura do texto “Corpografias Urbanas”, de Paola Berenstein Jacques, iniciou-se a nossa longa e lenta busca por espaços em desuso e ociosos pelo quadrilátero pré-definido no centro de Belo Horizonte. O texto nos subsidiou no que diz respeito a como um “errante” deve se orientar, ou melhor dizendo, se desorientar pela cidade. Descobrimos que a cidade só ganha corpo a partir do momento em que ela é praticada e experimentada, e para isso, devemos nos desvencilhar da aceleração contemporânea que nos é praticamente imposta atualmente.

Nosso grupo iniciou a recompensadora errância pelo quadrilátero procurando, a todo momento, observar os minuciosos detalhes das edificações ao redor, que passariam despercebidos aos urbanistas, por exemplo. Começamos a “sentir” a cidade de um modo bem enfático, de um modo errante de ser: “enquanto os errantes buscam a desorientação,a desterritorialização e se reterritorializam,[...], os urbanistas buscam, na maioria das vezes, a orientação e a territorialização, e assim, tentam anular a própria possibilidade de se perder nas cidades ”. [Berenstein, Paola Jacques. Corpografias Urbanas].

Redescobrimos o espaço tanto nos aspectos físicos e arquitetônicos, quanto nos aspectos culturais e sociais, e, desse modo, percebemos a quantidade significativa de ‘vazios urbanos’ no trecho trabalhado. Nossa observação se iniciou na Praça da Estação e de lá seguimos em direção à Rua dos Caetés, local em que uma edificação de cor azul, a princípio, nos chamou a atenção por seu estilo diferir em muito do cenário atual da rua que é tomada por comércios de fachadas lisas, com quase nenhuma ornamentação arquitetônica.




Posteriormente, outros dois lugares nos interessaram: um edifício de nove pavimentos, (tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural) localizado no encontro da Rua São Paulo com Avenida Amazonas, que estava vazio e sem previsão de ocupação e, em seguida, outro edifício de dois pavimentos, localizado na Avenida Amazonas, que estava passando por uma reforma e acabara de ser alugado.





Porém, mesmo levantando essas construções para potenciais propostas de intervenção, ainda não estávamos satisfeitas e decidimos continuar com a nossa experimentação urbana. Foi quando encontramos o edifício que se tornaria nosso objeto de estudo e trabalho nesse semestre: a antiga sede do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia da UFMG, situada na confluência das ruas Guaicurus com Espírito Santo, que recebeu o nome de Edifício Cássio Pinto, um prédio de fachada quase toda em vidro e aparentes características modernistas, como a existência de pilotis.

Detalharemos na próxima postagem a visita do grupo ao edifício e os motivos de escolha para intervenção.