sexta-feira, 12 de março de 2010

"Olhe bem tudo o que puderes ver"

Após a leitura do texto “Corpografias Urbanas”, de Paola Berenstein Jacques, iniciou-se a nossa longa e lenta busca por espaços em desuso e ociosos pelo quadrilátero pré-definido no centro de Belo Horizonte. O texto nos subsidiou no que diz respeito a como um “errante” deve se orientar, ou melhor dizendo, se desorientar pela cidade. Descobrimos que a cidade só ganha corpo a partir do momento em que ela é praticada e experimentada, e para isso, devemos nos desvencilhar da aceleração contemporânea que nos é praticamente imposta atualmente.

Nosso grupo iniciou a recompensadora errância pelo quadrilátero procurando, a todo momento, observar os minuciosos detalhes das edificações ao redor, que passariam despercebidos aos urbanistas, por exemplo. Começamos a “sentir” a cidade de um modo bem enfático, de um modo errante de ser: “enquanto os errantes buscam a desorientação,a desterritorialização e se reterritorializam,[...], os urbanistas buscam, na maioria das vezes, a orientação e a territorialização, e assim, tentam anular a própria possibilidade de se perder nas cidades ”. [Berenstein, Paola Jacques. Corpografias Urbanas].

Redescobrimos o espaço tanto nos aspectos físicos e arquitetônicos, quanto nos aspectos culturais e sociais, e, desse modo, percebemos a quantidade significativa de ‘vazios urbanos’ no trecho trabalhado. Nossa observação se iniciou na Praça da Estação e de lá seguimos em direção à Rua dos Caetés, local em que uma edificação de cor azul, a princípio, nos chamou a atenção por seu estilo diferir em muito do cenário atual da rua que é tomada por comércios de fachadas lisas, com quase nenhuma ornamentação arquitetônica.




Posteriormente, outros dois lugares nos interessaram: um edifício de nove pavimentos, (tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural) localizado no encontro da Rua São Paulo com Avenida Amazonas, que estava vazio e sem previsão de ocupação e, em seguida, outro edifício de dois pavimentos, localizado na Avenida Amazonas, que estava passando por uma reforma e acabara de ser alugado.





Porém, mesmo levantando essas construções para potenciais propostas de intervenção, ainda não estávamos satisfeitas e decidimos continuar com a nossa experimentação urbana. Foi quando encontramos o edifício que se tornaria nosso objeto de estudo e trabalho nesse semestre: a antiga sede do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia da UFMG, situada na confluência das ruas Guaicurus com Espírito Santo, que recebeu o nome de Edifício Cássio Pinto, um prédio de fachada quase toda em vidro e aparentes características modernistas, como a existência de pilotis.

Detalharemos na próxima postagem a visita do grupo ao edifício e os motivos de escolha para intervenção.

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