A história de nosso personagem foi baseada no espírito revolucionário que sentimos ao visitar o interior do antigo Diretório Acadêmico (D.A) da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sendo assim, nos inspiramos em movimentos políticos e estudantis do Brasil, especialmente os da década de 1960 e 1990. O nome da personagem foi criado com menção a duas pessoas que tiveram participação significativa nesses movimentos: Edson Luís, (estudante assassinado por policiais na época da ditadura, no Rio de Janeiro, em 1968) e Cecília Lotufo (musa da UNE – União Nacional Estudantil - e a primeira pessoa a aparecer com a cara pintada diante de uma câmera em prol do impeachment do então presidente Fernando Collor).Foto 1: Estudantes velam corpo de Edson Luis
Foto 2: Cecília Lotufo
População contra a ditadura no Brasil
Passeata dos Cem Mil, como ficou conhecido o ato, reuniu multidão contra a ditaduraNasce então Edson Lotufo, um homem de 40 anos, que cresceu em ambiente revolucionário devido à influência do pai (que participou ativamente dos movimentos contra a ditadura militar). Edson despertou desde cedo uma grande consciência política, aprendendo a nunca se conformar com injustiças. Aos 19 anos ele ingressa no curso de Engenharia Civil da UFMG e o contato com outros estudantes também politizados reforça essa ideologia de Edson.
Em 1989, Fernando Collor é eleito presidente da República Federativa do Brasil, e as promessas e ações contra a inflação não resultam no objetivo esperado e sim no confisco de bens de grande parte da população. Assim, iniciou-se uma enfática campanha a favor do impeachment do presidente, sendo que o movimento dos Caras-pintadas, do qual Edson Lotufo participou, foi um dos mais importantes.
Jovem participante do movimento dos Caras-pintadas de 1992 Mobilização popular do movimento civil que ficou conhecido como "Diretas Já", que reivindicava por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido em 1983-1984. Foto Revista VEJA - ed. 804, Fevereiro de 1984.
Com o passar do tempo, as manifestações políticas foram se extinguindo e Edson seguiu sua vida normalmente. Este se casou e teve um filho, que apesar de ser um jovem estudante, nunca participou de protestos, abaixo assinados ou movimentos em prol de seus direitos.
Edson sabia que assim como seu filho, as pessoas de um modo geral e principalmente os jovens, perderam essa vontade de manifestar sua indignação quanto a questões políticas e sociais.
“... Nosso mundo está ‘parado’! Ninguém se mobiliza... tantos casos de corrupção e nós aqui passivos. [...] Como diria Guy Debord: ’Não penso, não existo. Apenas assisto. ’É necessário mudar esse cenário!”
Edson Lotufo
Posteriormente, Edson Lotufo recebe a informação de que o edifício que abrigava o Diretório Acadêmico (D.A) da Escola de Engenharia da UFMG está desativado. Entusiasmado com este fato, Edson procura a universidade em questão, com o objetivo de reativar este ambiente e transformá-lo num espaço cultural, que reunisse, ao mesmo tempo, palestras e cursos para a formação política das pessoas e exposições que resgatassem a história dos movimentos estudantis brasileiros. Assim, também seria possível relembrar a história do próprio D.A existente naquele local, criando um centro de memória descontraído e politizado.
A ideia de Edson foi aprovada e um projeto para reativar o local foi proposto por arquitetos. O novo ambiente passa então a ser elaborado e construído e, depois de finalizado, um novo nome é escolhido para o lugar: Centro do Movimento.
Atualmente, esse centro vem tornando-se popular e ‘visível’ em Belo Horizonte. Edson, juntamente com seu filho, é um dos grandes frequentadores, já que o local se apresenta de modo flexível para reunir pessoas de diversas idades e opiniões. O centro consegue atrair os jovens com um Café descontraído, o qual proporciona interatividade com exposições, livros e matérias relacionadas aos movimentos estudantis e ao espírito de mudança que os jovens brasileiros demonstraram ao longo da história. No segundo andar do edifício, cursos sobre História, Línguas estrangeiras e Teatro são oferecidos principalmente aos jovens, além de palestras e debates relacionados a questões políticas e sociais. O clima de um D.A é vivenciado em todo o espaço e muitas pessoas que estudaram e freqüentaram aquele prédio antigamente, agora retornam para também relembrar esse clima e interagir com o que o local oferece.
Edson, além de freqüentar o Centro do Movimento, se torna um membro ativo do local e passa a contribuir com os debates e palestras oferecidos. Assim, sua relação com aquele espaço se apresenta de uma forma mais significativa, pois todas as intervenções realizadas, como os papéis de parede ilustrados com faixas de protestos e manchetes de jornal que decoram as salas, os painéis que contam a historia dos movimentos estudantis, as salas de convívio e debate, propiciam um ‘despertar’, em Edson e em outros freqüentadores. Um despertar contido da importância de conhecer a historia de luta contra as injustiças sociais e também de se engajar na transformação da nossa realidade.

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