Desde as primeiras conversas sobre as possíveis personagens, queríamos que fosse alguém muito singular, com alguma limitação que tornasse sua perspicácia de observar o mundo, mais aguçada e única, uma interpretação intensa e eficaz em sua abrangência de todos os aspectos de viver em um espaço construído e vivido, densamente fluido e diversificado. Ao mesmo tempo esperávamos demonstrar o quão mágico é a possibilidade de sentir, além do sentido que mais nos ‘limita’, ou melhor, o que mais nos domina e de certo modo sufoca os demais: a visão. Definimos então que nosso personagem será deficiente visual, homem, jovem, independente, com grande potencial e persistência, seu companheiro de história será seu filho, será dono do local escolhido, que definimos desde a visita em seu interior, que será uma casa noturna. Para a personagem nos inspiramos em filmes como Perfume de Mulher, no caso da percepção do espaço, Ray, para a sensibilidade e Sherlock Holmes, para orientação espacial.

Filme Perfume de Mulher, Al Pacino interpreta um homem cego, na foto, cena em que a personagem dança tango apenas sabendo as medidas do salão.

Ray, filme que conta a história de Ray Charles, músico cego.

Sherlock Holmes, filme recente, inspiração para capacidade orientação e observação espacial do personagem, na cena em que Sherlock é conduzido vendado pela cidade.
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