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terça-feira, 16 de março de 2010

Foto Croqui Espaço Londres

Foto Croqui Espaço Londres

Link - Projeto Habitar BH Ocupando O Centro

Link Projeto (PDF): http://reabilita.pcc.usp.br/Palestras/17_Projeto_Habitar_Belo_Horizonte_Ocupando_o_Centro.pdf


Imagens Slides:







Leitura Indicada - Allan Poe E Paul Auster

O Homem na Multidão - Allan Poe






Conto De Natal de Auggie Wren - Paul Auster









Leitura Indicada - O Flâneur

O Flâneur - Um passeio pelos paradoxos de Paris
Edmund White. Companhia das Letras
por Simone Pallone
Paris é uma cidade grande, linda e bastante acolhedora. Já foi cenário para muitos romances e tem material para um bom punhado de guias, de todos os tipos e para todos os gostos. Mas recentemente, em 2001, foi publicado no Brasil um guia bem diferente de Paris.
Em 211 páginas o autor americano Edmund White leva o leitor a um passeio pelas ruas de Paris de uma forma bastante inusitada. Ele não se prende aos pontos turísticos tradicionais, nem à culinária e muito menos traz um roteiro dos hotéis. O passeio de White pela cidade é o passeio do flâneur, a figura que caminha tranqüilamente pelas ruas, observando cada detalhe, sem ser notado, sem se inserir na paisagem.
Mas não é somente sobre o que o turista pode encontrar ao visitar Paris que trata a obra. Cada um dos pontos que White visita, seja um bairro, ou uma rua, conta a história daquele lugar, trazendo os personagens que ali viveram ou freqüentaram. É assim quando ele fala Saint-Germain-des-Prés, do Marais ou de Montmartre. São locais que têm histórias e onde personagens importantes e interessantes - como Josephine Baker, Picasso, Jean Cocteau e outros - viveram ou freqüentaram.
O autor diz que "Paris é um mundo feito para ser visto pelo caminhante solitário, pois somente a passo ocioso pode-se aprender toda a magnitude de seus ricos (mesmo os velados) detalhes". Wallter Benjamin, em um ensaio de 1929 escreveu que "o flâneur é criação de Paris". Pois ali o passante encontra elementos dos mais variados para os seus devaneios. Um mundo de templos, praças confinadas e santuários nacionais. E o flâneur observa cada degrau, cada pedra do calçamento, cada placa de loja, cada portal.
Ainda segundo Benjamin, Paris é a Terra Prometida dos flâneurs, uma "paisagem de gente viva". Paisagem é o que a cidade se torna para o flâneur. Ele não é um turista entusiasmado em busca de grandes vistas ou de pontos turísticos convencionais, ele busca sim uma nova percepção da cidade. As maravilhas, por um lado, são edificantes, por outro lado, não chegam a dar arrepios a esse observador.
Em seus passeios pelos arrondissements - que são bairros numerados que rondam uma área central de Paris a partir da Île de la Cité e da Île de Saint Louis - o autor chama a atenção para a concentração de árabes em certo bairro, artistas em outro, negros em algum outro ponto da cidade.
A Paris de White é uma cidade de histórias e de personagens. Ao falar de Saint-Germain-des-Prés, por exemplo, ele conta do trio de cafés que reuniam intelectuais e artistas. Entre eles, Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre. Quando fala do Marais, gueto judeu, conta toda a sua história. Há pouco tempo era um bairro de judeus pobres e, agora, depois de reformado, abriga judeus ricos e franceses de classe média branca com os aluguéis crescendo a cada ano.
Em passagem por pequenos museus, ao invés dos grandes, é possível, pela narrativa de O Flâneur, entrar na intimidade desses locais que serviram antes como moradia para alguns, como ponto de encontro de grupos de artistas ou cenário de histórias trágicas. Mas não se esquece de falar do Instituto do Mundo Árabe, "um edifício elegante, em vidro recurvado, às margens do Sena... O prédio é uma mistura inovadora das arquiteturas européia e muçulmana. Os materiais são sofisticados e contemporâneos, mas a fachada dos fundos é uma adaptação do moucharabieh (nos edifícios do norte da África, a sacadas com gelosias de treliça, que permitia às mulheres do harém ver sem serem vistas)".
White aborda constantemente as desventuras homossexuais dos escritores e artistas que cita no livro e usa um capítulo inteiro para falar sobre a sua homossexualidade e de como é a relação dos homossexuais estrangeiros e parisienses com a cidade. Ele cita como "pontos de caça" locais perto do cais, parques, estações de trens e os trechos escuros ao longo do Sena ou do Canal Saint Martin. Em uma entrevista concedida à revista literária gay francesa Masques, hoje extinta, ele afirmou considerar-se um escritor homossexual, não só por sua opção sexual, mas porque escreve sobre essa temática. Ele associa à figura do flâneur uma característica homossexual: "ser gay e caçar talvez seja uma extensão da própria essência do flâneur".
O autor morou em Paris por mais de quinze anos, tendo partido dos Estados Unidos para lá para escrever a biografia de Jean Genet, publicada em 1993. Ele também é autor da biografia de Marcel Proust, de 1998, além de diversos livros de ficção.


Fonte:

As Estratégias do Caminhar

Estratégias do caminhar - flâneur

'' (...) Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar.

(...)Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação

ligado ao da vadiagem.

(...)É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o

inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas

necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. (...)'' (A rua - João do Rio)





Flanêur é uma palavra do francês que pode ser traduzida como ''Flanador'' e usada para se referir a homens com um certo comportamento peculiar. Esse estilo de vida foi assim chamado pelo poeta Charles Baudelaire.


Flanar é vagar pelas ruas não simplesmente caminhando, é andar observando tudo à volta.
O flanêur é um amante das ruas que repara em detalhes que para outros cidadão passam despercebidos. Ele valoriza objetos, lugares, pessoas que o observador comum já não repara, por fazerem parte de uma rotina.

O flanêur é simplesmente uma pessoa que vê o mundo com olhos diferentes da maioria da população, a sua visão é com riqueza de detalhes, e detalhes nas coisas mais simples.

Estratégias do caminhar- Parkour
Parkour é uma atividade praticada por homens em regiões rurais e urbanas em que ele enfrenta vários obstáculos tendo como instrumento apenas o corpo. É exercido com a maior rapidez possível e qualquer movimento pode ser realizado.
Possui semelhanças com artes maciais e esportes radicais, mas não é nem um nem outro; é uma atividade física ainda não definida em uma categoria específica.
Sem limitações, o Parkour possibilita o conhecimento do corpo humano e da sua mente. Além disso, é uma maneira de se conhecer as cidades de uma forma diferente. O praticante de Parkour conhece cada esquina, cada corrimão ou grade que alguma vez já foi seu obstáculo.
Estratégias do caminhar- Deriva

Os situacionistas compunham um grupo europeu de crítica social cultural e política fundado por Guy Debord. Suas teorias populares mesclavam valores do Marxismo e do Anarquismo e ao mesmo tempo condenavam o Anarquismo e o Comunismo por seu fracasso. Enquanto os arquitetos modernos defendiam que a arquitetura e o urbanismo poderiam mudar a sociedade, os situacionistas acreditavam que a sociedade deveria mudar a arquitetura e o urbanismo.


Uma das teorias defendidas por esse grupo era a Deriva, uma prática em que as pessoas vagavam sem objetivo e sem destino pelas ruas. A deriva é um procedimento de reconhecimento urbano em que se anda apressadamente pelas vias urbanas diversas e deixando-se levar pelas exigências feitas pela própria paisagem. Como resultado, obtém-se mapas diferentes e individuais de um mesmo local; ela desperta a visão de cada pessoa sobre um lugar comum.



Texto Baudelaire

Trilhando diálogos com Baudelaire

O flâneur é ser que observa o mundo que o cerca de maneira real e descritiva, levando a vida para cada lugar que vê. O flâneur descrever as cidades, as ruas, os becos, o externo. Desvincula-se do particular, recrimina o privado, de forma a ver a rua como lar, refúgio e abrigo. Este sentimento flaneuriano reflete a necessidade de segurança do indivíduo, a necessidade de identificação dele para com a sociedade. A rua é seu lar, seu mundo. Ali nada é estranho ou prejudicial. Na rua se sente confortável e protegido. O flâneur do século XIX representou a angústia da Revolução Industrial.
Mesmo que não habitante constante da rua, o indivíduo flâneur utiliza sua janela (caminho livre para o externo) para fazer sua observação e seu retrato. O flâneur é um fotógrafo. Porém além de imagens, ele registra idéias, sentimentos e atitudes. Descreve tudo com perfeição e carinho. Ama o mundo exterior e dele faz seu ideal profissional e emocional.
Baudelaire foi o precursor deste sentimento, foi ele quem abriu as portas e as janelas da rua para o leitor. Foi ele quem expandiu sua idéia, tão próxima da realidade, aos diversos flaneures ocultos pelo mundo. Esse sentimento observado é tão real e tão forte que caminhou pelo tempo e até os dias atuais, deixando um rasto perceptível em cada época da literatura.
Através da visão do poeta-flâneur mostraremos as transformações urbanas.
OS POETAS
Charles-Pierre Baudelaire, poeta e crítico francês, nasceu em Paris em 9 de abril de 1821. Baudelaire move-se de acordo com sua profunda instabilidade interior, o que torna sua produção uma alma vertiginosa. Sua realidade é atormentada por causa da degradação da vivência moderna. Essa realidade aguda se reflete em sua poesia desesperadamente inquieta, tornando-o uma ameaça ao conformismo. No dizer de Walter Benjamin, Baudelaire é um lírico no auge do capitalismo que enfrenta a inquietação e o estranhamento. Na visão baudelairiana o homem moderno é vítima das agressões das mercadorias e tragado pelas multidões, com isso configura-se como um embriagado a perambular pela cidade em total estado de abandono, à beira de um precipício.
A uma passante
A rua em torno um frenético alarido
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão suntuosa
Erguendo e sacudindo a barra do vestido.
Pernas de estátua, era-lhe a imagem nobre e fina.
Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebia
No olhar, céu lívido onde aflora a ventania,
A doçura que envolve e o prazer que assassina.
Que luz…e a noite após! Efêmera beldade
Cujos olhos me fazem nascer outra vez,
Não mais hei de ter senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,
Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!
(BAUDELAIRE, apud BENJAMIN:2000 p.42)
O cenário inicial era a Paris do século XIX, logo o incômodo da industrialização afetou outras cidades, e hoje temos representantes dessa angústia no mundo inteiro. Baudelaire é apenas o alicerce para uma vasta coleção de seguidores que nunca se findará. Carlos Drummond de Andrade em seu poema Rua do olhar descreve seu sentimento em relação à um rua de Paris, como se ela fosse um olhar solitário a observar os homens que passam por ela. A rua do olhar guarda cada passo, cada palavra dita nos caminhos sobre ela, sem contar a ninguém. É um local seguro e fiel, transmite amor, carinho e até sorri. Acalma e acolhe. O eu lírico dá vida à rua e aos objetos integrantes dessa rua, menciona o olho das coisas e até sugere que essas coisas respiram. Transmite a idéia de que o mundo cabe num olhar.
“Entre tantas rua
que passam no mundo,
a Rua do Olhar,
em Paris, me toca.(…)”
(DRUMMOND: Nova Reunião, p.87)
Baudelaire, da mesma forma que influenciou poetas e escritores do mundo inteiro, foi influenciado por Edgar Allan Poe mediante a tradução feita de O Homem das multidões. Poe tem como base em sua prosa o fantástico das exacerbações da natureza humana: as alucinações, cuja lógica ultrapassa a consciência habitual; mentes inquietas e febris; e personagens neuróticos. Os cenários são repletos de morte e fatalidade, é a angústia de quem vê sua rotina tranqüila se tornando caótica. “O homem das multidões” ou “escritor maldito” mergulhou fundo no lado desconhecido da alma humana. Sua influência foi além de Baudelaire, além da poesia Simbolista: Poe continua sendo lembrado na ficção científica, no romance policial moderno e psicológico.
Seguindo o mesmo caminho temos o filósofo alemão Franz Hessel. Em seu livro Passeios por Berlim, Hessel diz que “o flâneur já não existe, dizem as pessoas, porque é contrário ao ritmo do nosso tempo. Mas eu não acredito”(HESSEL:1999,p.54). Em sua concepção, flâneur é um nativo que se move pela cidade como se fosse um estranho. Hessel foi o primeiro que notou na cidade um enigma e foi ele quem soube fazer dos devaneios do flâneur um verdadeiro gênero literário. Para ele “passear e pensar se revelam uma mesma coisa”(HESSEL:1999, P.54). Essa relação é encontrada desde a filosofia grega; Montaigne se apropria dela e acrescenta um novo conceito fundamental: andar e escrever, os corpos passeiam como movimentos de escrita. Rousseau, por sua vez, agrega ao movimento do corpo sobre o domínio da natureza, surgindo, assim, o passante solitário, criando a concepção do passeio como uma ação poética. Seguindo o preceito de Nietzsche em Ecce Homo, “Estar sentado o menos possível; não confiar em nenhum pensamento que não tenha nascido ao ar livre e em plena liberdade de movimentos”(NIETZSCHE:2000, p.140).
Depois de Paris, a arte de flanar segue por toda Europa, em especial Portugal e Inglaterra. Em Portugal com Fernando Pessoa, e seu heterônimo Álvaro de Campos; e, o herdeiro do caos urbano, Bernardo Soares, sendo que este despreza viagens em favor de passeios pela cidade. Mas nos fixaremos em Campos.
Homem do século XX, poeta futurista, vivencia o processo de industrialização de Portugal. É um inadaptado, não se rende às convenções sociais. Pessoa tem como raízes a percepção visual da realidade e o conflito familiar. Para Campos, o interesse pela cidade se dá pelo progresso material, é um lugar de mistério. Mas viver na cidade o reduz ao estado de mendigo e, sofre ainda mais por ser tão dependente dela e por ela ser tão indiferente a ele. Ele se sente isolado e abandonado na cidade, por isso a repele, mantendo dentro de si um mágoa grandiosa e um oculto desejo de incluir-se em sua vibração. O mais moderno heterônimo de Fernando Pessoa, em sua segunda fase, sensacionista e mecanicista, revela-nos o predomínio do espírito nietzschiano, a inspiração de Walt Whitman e o Futurismo de Marinetti. Da influência recebida de Nietzsche nota-se o seu gosto de observar as coisas e as pessoas que passam nas ruas, como exemplo temos o poema Tabacaria, que mistura, de forma fascinante, o mundo interior e a realidade universal ao mesmo tempo. Mostrando a angústia do cotidiano e o sonho de libertação.
“(…)Para uma rua inacessível a todos os pensamento,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecida certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.(…)
(…) À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.”
(PESSOA:1983, P.139)
Em Londres temos um tipo inusitado de flâneur, personagem título da mais conhecida obra de Bram Stoker, Drácula. Adaptado para o cinema em 1992 por Francis Ford Coppola, o senhor das trevas, demonstra características de flâneur quando deixa a Transilvânia e vai para Londres. Em sua passagem pelas ruas londrinas, como flâneur, o Conde Drácula demonstra um olhar de estranhamento. Aparece na rua, como alguém fora de seu mundo, perdido e ignorado. Ele está entre a cidade grande e a burguesia, mas não se sente em casa em nenhum deles. Ele busca o lar na multidão. A história se passa no século XV, um líder e guerreiro dos Cárpatos renega a Igreja quando esta se recusa a enterrar em solo sagrado a mulher que amava, pois ela se matou acreditando que ele estava morto. Assim, perambula através dos séculos como um morto-vivo e, ao encontrar um advogado, descobre que a noiva deste é a reencarnação da sua amada. Deste modo, o deixa preso com suas “noivas” e vai para a Londres da Inglaterra vitoriana, no intuito de encontrar a mulher que sempre amou.
Na poesia baudelairiana a priori as imagens da mulher e da morte se interligam no cenário parisiense. “ A Paris de seus poemas é uma cidade submersa (…) o decisivo em Baudelaire é, no entanto, um substrato social, no ‘idílio fúnebre’ da cidade: o moderno.” (Benjamin:2000, p.39) Nesta visão surge o Conde Drácula, o melhor representante do ‘idílio fúnebre’, além disso, nota-se também uma única diferença entre o poeta das Flores do Mal e o texto fílmico de Coppola: são as cidades, Paris e Londres, que, mesmo assim, se interpenetram inevitavelmente, especialmente nesse período. Numa passagem do filme o Conde demonstra ter uma visão sóbria a respeito do homem. Durante uma negociação imobiliária refere-se a sua ida a Londres dizendo: “andar pelas ruas povoadas de Londres. Estar no meio da precipitação da humanidade. Participar de suas mudanças e de suas mortes”. Parece lógico que isso não é apenas um pessimismo “ vampiresco”.
Um dado importante a se observar é a modernidade de flanar devido a iluminação a gás. A luz é essencial para todo o tipo de percepção, com ela surgiu a possibilidade de a multidão freqüentar as ruas à noite, transformando os passantes noturnos em presa fácil para a alimentação do Drácula. Ela não revela objetivamente as coisas que ilumina.
A aparição do flâneur no cinema não se restringe ao filme de Coppola. Na obra cinematográfica do diretor italiano Michelangelo Antonioni é notória sua presença. Blow Up, traduzido para o português como Depois daquele beijo, possui uma nova linguagem que marcou a década de 60 nesse suspense. Rodado na Inglaterra, o filme é carregado de simbolismos e chega quase a ser hermético. O enredo enfoca o envolvimento de um fotógrafo em um crime. Ao ampliar fotos feitas em um parque descobre o que parece ser um cadáver escondido nos arbustos. Obcecado, ele começa a investigar e se vê envolvido em situações bizarras. Ele tenta elucidar o caso cercado de mistério, sem temer eventuais riscos. É um mergulho profundo em um fragmento qualquer que revela nuances de outra forma imperceptível da realidade londrina. Porém, esse mergulho, à medida que tem na técnica seu principal instrumento, favorece a atrofia dos sentidos humanos não vinculados aos fins últimos da máquina. O incremento do senso estético, por conseguinte, tende a ser acompanhado da debilitação de outras modalidades de valorização.
No Brasil também temos representantes desta categoria. João do Rio (1881-1921), andarilho urbano com forte senso de observação, é um flâneur, em A alma encantadora das ruas, que relembra o Rio de Janeiro de 1905, onde o prefeito Pereira Passos e o sanitarista Oswaldo Cruz levavam o projeto Paris Tropical, dando uma nova feição à cidade.
Repórter – ficcionista, tematizava os problemas da subjetividade individual que enfrenta o ritmo da metrópole moderna e que nela encontra, ao mesmo tempo, a sedução e a ameaça. Esse mal-estar na civilização, experimentado pelo indivíduo, permite a Paulo Barreto, seu verdadeiro nome, lançar uma ponte entre o Rio de Janeiro e a realidade européia da belle époque.
O progresso em João do Rio é uma utopia ambígua, ao mesmo tempo sedutora e destruidora como as Flores do Mal de Baudelaire. Os modelos que ele elege para legitimar sua criação – Oscar Wilde, Poe e Dickens – fazem parte daquela literatura que, segundo Benjamin (1980,p.53-55), detém-se sobre os aspectos ameaçadores e inquietantes da vida urbana e de suas multidões. “Dado o grau de civilização atual, civilização que tem em germe todas as decadências, o crime tende aumentar, como aumentam os orçamentos das grandes potências, com uma percentagem cada vez maior de impunidade.” ( RIO, apud VENEU:2000, p.229). É esta proposta literária que faz do cronista da alta sociedade simultaneamente o observador da miséria urbana, pois ambas as realidades, refletidas pelo olhar do artista, são necessárias para equiparar o Rio a Paris. O progresso é unificador, capaz de tornar o Rio igual a Paris, Londres ou qualquer outra metrópole civilizada e decadente.
João do Rio se identifica como flâneur para solucionar o dilema do indivíduo. Cosmopolita desde o nome que o designa, para ele flanar é “verbo universal”, não pertence a nenhuma língua; ao flâneur, não cabem as estruturas fixas da vida social.
“Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, Ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça (…). É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas.”
(RIO, apud VENEU:2000,p.235).
Mas a flanagem carioca não se resume a João do Rio, podemos considerar o “Poetinha – Vagabundo” Vinícius de Moraes um flâneur. Em seus versos, como observador, nasceu “ Garota de Ipanema”. Vinícius exalta a beleza da mulher carioca que passa por ele na praia de Ipanema. Nestes versos há grandes semelhanças com o poema anteriormente citado de Baudelaire (A Uma Passante).
“Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça.
É ela menina que vem,
E que passa.
Num doce balanço,
a caminho do mar.
Moça do corpo dourado,
Do sol de Ipanema.
O seu balançado,
É mais que um poema.
É a coisa mais linda,
Que eu já vi passar (…)”
A cidade pós-moderna como núcleo urbano já não se configura como fetiche recorrente para o cosmopolita contemporâneo, não é mais lugar do “choque”, que inspirava o flâneur. Walter Benjamin acreditava no desaparecimento do poeta flâneur com as transformações das grandes cidades. Mas, assim como Hessel, nós não acreditamos na queda do flâneur. Hoje, o espaço para “ser visto” fragmentou-se em bares, restaurantes, lojas não do centro de uma metrópole em particular, mas no mundo inteiro. Mais além, é mais relevante “ser visto” através das telas, da televisão, do cinema e, principalmente, do computador. As imagens são mais valiosas para o cosmopolita pós-moderno que a realidade.
Atualmente, andar na cidade ou clicar numa home page transformaram-se em formas de flanar, o indivíduo-observador segue: “passeando pelo mundo afora na cidade que não tem mais fim”. (LIMA,1994)
* Trabalho apresentado durante a IX SEMANA DE LETRAS do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora – CES/JF
em 07/10/2003

Fonte:

Localização Do Edifício Escolhido

Hipercentro - Fotos Aéreas Google Earth - Planta De Localização











Fontes:

- Google Earth
- Blogspot Corpo e Espaço



História Avenida Santos Dumont

Avenida Santos Dumont

No início do século XX, Belo Horizonte era uma cidade pacata e silenciosa. Os primeiros conjuntos urbanos se definiam entre as largas avenidas, ainda sem calçamento, insinuando uma metrópole futura. Entre as principais vias da época estava a antiga rua do Comércio, atual avenida Santos Dumont, ligando a Praça da Estação à praça Rio Branco.
O presidente do Estado de Minas Gerais, Francisco Sales, e o prefeito de Belo Horizonte, Francisco Bressane Azevedo, concentravam seus esforços para o crescimento da cidade. Mas, até então, predominava o sossego na capital. O jovem escritor Monteiro Lobato, ao visitar o município, em 1903, descreveu a calmaria. "Positivamente funcionários que subiam e desciam lentamente, a fingir de transeuntes. Transeuntes públicos. Daí o sono que dava aquilo. Uma semana passada lá deixava a impressão de meses."




O clima tranqüilo foi quebrado com a chegada do inventor do avião 14 Bis, Alberto Santos Dumont, também em 1903, que desfilou pelas avenidas da cidade no "Landau" presidencial - uma carroça puxada por quatro cavalos de raça. A capital, agradecida pela honraria, em homenagem ao mineiro ilustre deu à rua do Comércio o nome de avenida Santos Dumont.

Em 1947, Joversino Emílio de Pádua, João Gabriel de Mattos e José Simplício Dias, os dois últimos já falecidos, decidiram investir no Armazém Dias que, dez anos depois, deu lugar à Loja Elétrica, na avenida Santos Dumont. "Naquela época, o ramo de atuação era de secos e molhados e já havia uma seção de tomadas e lâmpadas. Como a cidade estava crescendo e aumentou a demanda por materiais elétricos, o armazém foi transformado na loja", conta Mariângela Marinho Delazari, contadora da empresa há 35 anos.




Avenida Santos Dumont


Anos depois, diante dos desafios e necessidades de apoio às atividades comerciais, foi instalado na avenida Santos Dumont, em 1960, o Clube dos Diretores Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), com sede no Edifício Araxá, posteriormente transferida para a avenida João Pinheiro. Hoje, a via guarda alguns prédios antigos que, silenciosamente, teimam em contar a história do progresso da cidade entre o trânsito intenso de pessoas e veículos. Vale salientar que prevalece no local a sua principal marca: as atividades comerciais que impulsionaram e ainda contribuem de maneira importante para a economia da cidade.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Personagem Espaço Londres

Narrativa Personagem Espaço Londres


Eduardo é aluno da escola de Engenharia Civil da UFMG, que fica na Rua Espírito Santo. Sempre morou em Belo Horizonte, mas não freqüentava o Centro e como começou a estudar lá buscava com seus amigos um lugar agradável por perto.

Certo dia observou que um prédio na Av. Santos Dummont, que fica próximo a seu campus universitário, estava passando por uma reforma, tudo indicava que ali seria um lugar como o que eles procuravam.

Passaram-se uns meses e a reforma ficou pronta, alguma pessoas na faculdade de Eduardo já comentavam que tinha aberto próximo dali um lugar com vários atrativos e um clima super acolhedor. O local se chamava Espaço Londres e era freqüentado por pessoas diferentes das que habitualmente passam pelar ruas da redondeza.

A primeira visita de Eduardo e seus amigos ao espaço foi para almoçar e um empregado do local os informou que a noite aconteciam “happy hours” com vários estilos musicais e durante o dia aulas de dança e cursos como de desenho, pintura, culinária e muitos outros.

Com o tempo o Espaço Londres se transformou em um “point” para os estudantes e outras pessoas interessadas em cultura e diversão. Eduardo virou um freqüentador assíduo do local. Fazia estágio pela manhã, almoçava no restaurante Londres, ia pra faculdade a tarde e depois da aula sempre dava uma passadinha lá.

Sempre marcando presença no restaurante e na lanchonete, Edu foi ficando curioso para conhecer as outras atividades realizadas lá, decidiu então se matricular no curso de desenho. Um dia o restaurante organizou um “happy hour” para todos os alunos, foi aí que ele conheceu Nanda, uma simpática dançarina que fazia aulas no salão de dança. Eles ficaram cada vez mais íntimos e começaram a namorar.

O Espaço Londres foi conquistando cada vez mais seus clientes, proporcionando a todos eles um contato próximo com a cultura de uma maneira diferente e divertida. Para Edu e Nanda o lugar era super especial, pois além de toda alegria encontrada foi lá que eles se conheceram e se apaixonaram.




O Porquê da Escolha

Narrativa – Trabalho Integrado (1ª Etapa)



Após termos assistido ao documentário “A Janela da Alma” e a alguns filmes como “A Casa Vazia” e “O Milagre de Anne Sullivan”, conseguimos aperfeiçoar a nossa percepção de tudo, sobretudo no que diz respeito a símbolos, a representações de diferentes formas de linguagens. Vimos como formas, desenhos, fotos, gestos e sorrisos falam por si só. Usamos todos os nossos sentidos para experimentarmos melhor cada parte do percurso percorrido. Depois de nos encontrarmos na Praça da Estação de Belo Horizonte, começamos a praticar a “errância” como verdadeiros flâneurs, caminhando lentamente pelas ruas e avenidas em torno do quadrilátero do hipercentro da cidade, acumulando assim, diferentes corpografias daqueles lugares.

Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua! Que significa flanar? Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da população [...]. É vagabundagem/ Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico.”

João do Rio

O termo flâneur vem do Francês substantivo masculino flâneurQue tem o significado básico de "andarilho", "ocioso", "saunterer", "vadia", que por sua vez vem do verbo francês flâner, Que significa "para passear". Charles Baudelaire desenvolveu um significado derivado do flâneur-A de "uma pessoa que anda na cidade, a fim de experimentá-lo".



Começamos a “nos perder”, já na Avenida Santos Dumont, e nos impressionamos com a quantidade de edifícios “vagos” ao longo do trajeto. Na própria avenida, nos interessamos muito por um edifício vazio (número 240), um antigo hotel segundo pessoas que trabalham perto do local. Continuando a nossa “errância”, fomos encontrar outro edifício vazio interessante na Rua Guaicurus número 471, um antigo bordéu segundo típicos personagens daquele local. Gostamos também do prédio de esquina da Rua Guaicurus com a Rua Rio de Janeiro, antigo edifício pertencente à Santa Casa, segundo fontes também daquele local. E por último, uma outra construção que nos chamou atenção também estava na Rua Guaicurus, em frente a UFMG, fazendo esquina com a Rua Espírito Santo. De acordo com diversas informações de professores e pessoas da região, esse “galpão” pertence à UFMG.

Então, depois de nos perdermos bastante pelo hipercentro e absorvermos diversas experiências urbanas, escolhemos o edifício de número 240 da Avenida Santos Dumont para “efetuarmos as nossas futuras intervenções”.


Gostamos muito da sua localização (por ser bastante próximo à Praça da Estação e também da rodoviária), da sua fachada (estilo art decò) e do seu tamanho (por não ser tão grande, porém o suficiente para diversos usos). Com a ajuda da nossa professora Denise Bahia, conseguimos através dos arquitetos Carlos Henrique Bicalho e Mariana Guimarães, da Diretoria de Patrimônio Cultural (DIPC) da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, informações como ano de construção do edifício (1934), o antigo nome original do hotel (Hotel Londres), e tivemos o privilégio de conseguirmos acesso aos dados originais do microfilme desse edifício, em que constavam belos desenhos da fachada, de um corte e de uma das plantas.



A nossa proposta de intervenção no edifício é algo bem diferente do que ele era antigamente. No primeiro pavimento (térreo), pensamos em fazer uma lanchonete próxima à calçada, com uma enorme cozinha na parte de trás do edifício, com vestiários e inclusive um depósito. Ainda neste pavimento, temos banheiros para a clientela e um hall, com uma entrada independente de acesso à escada e ou elevador do edifício. Já no segundo pavimento, resolvemos fazer um restaurante, que ocupa praticamente todo o andar. Esse tem um bar, onde existe uma escada de acesso à cozinha do andar inferior, por onde levam todos os “comes e bebes”. Temos também dois sanitários e um palco central, destinado a shows e apresentações. Próximo às escadas, ao elevador e ao caixa, propomos um grande mural de fotografias daquela região, de antigamente e de hoje. No outro pavimento, o terceiro, imaginamos fazer uma espécie de escola de danças, e então dividimos o espaço em alguns salões, deixando um maior, destinado à apresentações de alunos daquela suposta escola, para pais e convidados. Não nos esquecemos também de uma recepção e obviamente dois banheiros. No quarto e último andar, propomos um atelier, com aulas de história da arte, pintura, desenho, artes gráficas e artes plásticas. Organizamos o espaço de forma a termos espaço para salas de aula e no centro, pensamos em fazer um espaço para exposições de trabalhos daqueles alunos. Planejamos também, os banheiros e inclusive uma secretaria do atelier. Esse não seria mais o mesmo edifício de antigamente, aquele Hotel Londres. Agora, apesar de a fachada continuar a mesma, propomos mais um meio cultural para essa região, o mais novo Espaço Londres.


1º Pavimento (Lanchonete)





2º Pavimento (Restaurante)




3º Pavimento (Escola De Danças)



4º Pavimento (Escola De Artes)